Natal todo ano em todo lugar

As luzes de Natal parecem ficar cada vez menos tempo pela cidade. Uma casa ou outra nas ruas fica decorada quando antes parecia que havia até uma disputa de melhor ornamentação. Já é a véspera e até agora não ouvi “Então é Natal” na voz da Simone em nenhum lugar, seja por falta do espírito natalino ou presença do bom senso.

Com os preparativos para o intercâmbio meu dezembro foi bem peculiar, distante da usual calmaria das férias. Talvez por isso só hoje eu esteja ouvindo o Campire Christmas Vol 1, álbum temático lançado esse ano pelo Rend Collective, banda cristã irlandesa que encabeça minha lista de preferidas.

As versões de faixas clássicas como Joyful, Joyful, We Adore Thee e We Wish You a Merry Christmas, e as originais como Merry Christmas Everyone e For All That You Done tem a cara do Rend Collective versão Natal, com o melhor que o indie folk pode oferecer, e com mais elementos irlandeses do que nunca.

É pouco mais de meia hora de uma leitura de como o Natal pode ser clássico e moderno, sobre Jesus e sobre a gente, tudo ao mesmo tempo. Assim como nos trabalhos anteriores da banda, continuei sentido falta de mais destaque para a voz doce e suave da Ali Gilkeson, única integrante feminina da banda na formação atual, para balancear o som firme e grosso do vocalista Chris Llewellyn.

campfire

Aqui no Brasil não tem neve caindo no Natal e os sininhos que a gente ouve são os do comercial da Coca Cola. Colocar gorro felpudo no nosso verão seria considerado masoquismo se não fosse tradição. Se para o Halloween a gente tem o Saci, nosso Papai Noel devia ficar bem a vontade de bermudão. E nossas músicas de Natal podiam ter gosto não só da data, mas também de Brasil.

Uma tentativa bem-vinda chegou pela voz do Marco Almeida, no single Biquini de Natal. Com jeito de bossa nova e fins de tarde, a letra fala de luzes, verão e simplicidade para dizer do menino que nasceu. Uma delícia, e vai ser melhor ainda se daqui a algum tempo a gente olhar para trás e perceber que foi só uma das primeiras a começar a criar um Natal com cara de Brasil.

É o aniversário de Jesus (por mais que seja provável que o menino que nos foi dado não tenha vindo ao mundo exatamente no dia 25 de dezembro), e mesmo para quem não é cristão ou não acredita nesse menino-Deus, o simbolismo da data está cheio de compaixão, perdão, esperança de dias melhores e muitas outras coisas boas. Só coisas boas. Ele é bom.

Esse ano, depois de muito tempo e depois de muita água passada debaixo da ponte dos desentendimentos, minha família vai ficar toda reunida para a ceia de novo. E por todo lugar, seja com rua enfeitada, presentes na árvore, e ceia ao som de Simone ou não, que não falte amor no nosso Natal. E como princípio e consequência, que não falte o menino que nasceu. (Parabéns, Jesus! Tudo de bom pra você.)

*Escrito em 24 de dezembro de 2014

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