Novo dia, mesmo sol

Sabe quando você fica cismado com camisas do Che Guevara, e passa a ver um trilhão de pessoas com camisas do Che Guevara na mesma semana? Acho que isso de a gente prestar atenção no que está constantemente na nossa cabeça pode explicar um pouco o porquê de mesmo que eu ainda não tenha lido nem metade do que se há para ler das obras do Lewis, um monte de citações dos livros ainda não lidos aparecem pelo caminho e ficam comigo.

Meu Che(sterton)
Meu Che(sterton)

Algumas edições de O Peso da Glória (um da pilha dos ainda não lidos) trazem um capítulo extra, com o ensaio Is Theology Poetry?, e não sei se meu exemplar traz esse bônus, mas espero muito que sim, já que ele contém uma frase que é uma boa síntese de como encaro minha relação com o Cristianismo.

Eu creio no Cristianismo tal como creio que o Sol nasceu, não apenas porque o vejo, mas porque através dele eu vejo todas as outras coisas.” É simples assim – e tão complexo ao mesmo tempo. Todo mundo tem uma forma de ver o mundo – a tal da cosmovisão.  E a forma de ver o mundo proposta pelo Cristianismo é uma que faz tudo ter sentido. Não com a noção de que ele faz tudo ser explicado, mas de que faz tudo ser compreendido, valer a pena.

Desses pouco casos no qual a tradução funciona até melhor que o original.
Desses pouco casos no qual a tradução funciona até melhor que o original.

Em poucas palavras, as proposições dessa cosmovisão são as de que por amor, Deus criou a humanidade, para nos relacionarmos com ele. Só que sem perceber que estávamos livres com ele, escolhemos a independência, caindo na barganha do diabo e ficando presos no pecado. Só que como Deus insiste em nos amar, ele nos dá a chance de voltar àquele relacionamento, ao entregar Jesus, seu primogênito, que não tinha pecado algum, para pagar a dívida dos nossos e restaurar nossa liberdade. Criação, queda e salvação. A partir disso, aceitamos essas proposições e escolhemos esse relacionamento com Deus ou não.

E eu escolho essa visão de mundo não só porque ela tem sentido em si mesma, mas também porque ela oferece sentido a tudo. Ela não responde todas as nossas perguntas, longe disso, mas ela traz tudo à luz – e traz luz a tudo. Pode até não apresentar os porquês, mas mais importante que isso, aponta o como.

Cosmovisão, essa lente com a qual vemos o mundo. (Por favor, não escolha uma platinada.)
Cosmovisão, essa lente com a qual vemos o mundo. (Por favor, não escolha uma platinada.)

O Cristianismo não me cega, ele me obriga a ver. Através dele enxergo cada aspecto de tudo, e não de uma forma distorcida, mas da maneira como tudo realmente é. Só que não para por aí, porque é da natureza dele querer apresentar soluções, endireitar o que era torto, consertar o que foi quebrado.

E em um nível final, o Cristianismo não é para ser vivido e ter sentido só nele mesmo. É para alcançar a tudo, nossa vida e sociedade por completo. Ele demanda que a partir da transformação pessoal e interior, ocorra também, quase que inevitavelmente, uma transformação social e exterior.

E a base de tudo isso não é (sendo realista: em alguns casos é, mas não deveria ser) medo de ir para o inferno, nem um conjunto de hábitos impostos por obrigação, nem nada senão o amor.  É nessa realidade que por mais longa que seja a noite, o novo dia vem, com o nascer do sol. É esse o caminho no qual tudo é transformado. E, como João afirma em sua primeira carta, “nós amamos porque ele nos amou primeiro”. Eu certamente quero amar de volta.

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