Plástico, status e sabedoria na selva (ou Meu amor por Meninas Malvadas)

Acho que se eu tivesse sido adolescente nos anos 90, meu queridinho seria As Patricinhas de Beverly Hills. Se fosse de 2010 em diante, seria A Mentira. Mas como fui adolescente nos anos 2000, o papel de comédia adolescente que ironiza os estereótipos e consagra os finais felizes ficou com Meninas Malvadas, que faz 10 anos hoje. E ele é mais queridinho ainda por, em certo nível, ter me ajudado a deixar de ser trouxa.

Cady cai de para quedas no ensino médio (uma das Savanas do mundo racional) e aceita fazer parte das Poderosas (Plastics no original, tão mais legal) para poder desmascará-las, mas, com a visão nublada pela aparência, poder e status, acaba se tornando uma delas. Demora um tempo para ela perceber que no fim das contas, é só plástico.

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Se importar demais com o que os outros pensam é um dos caminhos mais fáceis para uma vida miserável, porque a gente acaba não agradando ninguém, muito menos a nós mesmos. Eu também demorei um pouco para perceber isso, mas acho que assistir Cady quebrando a coroa de rainha do baile me ajudou a acordar. Porque, de novo, era só plástico.

Eu ainda gasto tempo demais com coisas que não são tão importantes assim. Prioridades, prioridades, prioridades. Vale mais a pena quebrar a coroa. E junto disso, que nem Cady aprendeu, “quando você é mordido por uma cobra, você precisa extrair o veneno”. Tirar de vez o que é inútil. Porque “Tudo que não é eterno é eternamente inútil” (muito sábio, esse Lewis).

De alguma forma, todo mundo já se sentiu pessoalmente vitimizado por Regina George. Mas o que importa é o que a gente faz com isso. Glen Coco vivia sem holofotes, sem dramas, sem ser rei do baile de formatura ou amigo das Poderosas, mas foi ele que ganhou quatro doces no Natal. Ele deve ter entendido que ser uma ótima pessoa e amar com sinceridade vale mais do que aparência, poder e status.

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O roteiro da Tina Fey (a adaptação é dela, só para adicionar mais amor à massa), ainda é cheio de mais pérolas de sabedoria, que nem “Chamar alguém de gorda, não te torna mais magra; chamar alguém de burra, não te torna mais inteligente”. E em uma semana na qual dá para afirmar que não, ninguém é macaco, nas selvas do mundo racional a gente parece demorar tempo demais para perceber verdades simples demais. Simples o suficiente para estarem em um filme adolescente.

*Escrito em 30 de abril de 2014

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