“Sobre meninos e lobos”

Marty Baron (Liev Schreiber), é o um editor recém contratado que chega na cidade para trabalhar em um dos maiores jornais locais, ao mesmo tempo que ele é inicialmente temido pelos colegas por possíveis reestruturações e demissões que ele eventualmente venha a fazer, ele também convidado para jantares e dentre eles está agendado um encontro com a figura principal de umas das instituições mais influente na cidade, o Cardeal da igreja católica. O editor segue cheio de reservas ao encontro e em meio a conversa ouve as instituições devem andar juntas para que haja harmonia no trabalho, no entanto ele prontamente se opõe, dizendo que é justamente a independência das instituições que fazem o trabalho acontecer como deveria. Esse episódio define bem o tom que conduz Spotlight (2015), do diretor Tom McCarthy.

Spotlight é o nome da equipe de jornalismo investigativo comandada por Walter Robinson (Michael Keaton), do jornal Boston Globe. O filme te leva a imersão no viver jornalistico com todas as nuances possíveis, desde o enfadonho e cinzento dia a dia de um redação de um jornal à efusão trazida pelas novas descobertas que vão tomando forma consistente até poderem ser chamadas de notícia e por fim serem publicadas, uma obra de extremo gozo para o jornalista apaixonado por sua profissão, me fez lembrar do documentário Conversas com JH (2013), filme em que a condição do profissional de jornalismo é avaliada de maneira bem analítica.

O paralelo com o documental não é por acaso, afinal o filme além de se valer de uma estética muito naturalista, com uma montagem clássica bem alinhada, uma direção de arte sutil, mas certeira, ele conta um caso real em que a equipe em questão investigou casos de pedofilia envolvendo padres na cidade de Boston. A partir daí vem a nossa imersão no trabalho jornalistico, a cada pequena descoberta que vai revelando o todo da verdade o espectador é tomado pela mesma gana de justiça que motiva a Spotlight a trazer a luz sobre esse porão que vai se mostrando imundo, grande e velho.

Editores como Marty Baron, seriam bem vindos no jornalismo hoje, pois além de compreender a necessidade de uma independência institucional por parte da mídia é dele também que vem a sugestão da pauta. Em tempos de fluidez da verdade e da pulverização da informação na web, pessoas que tenham um compromisso com o factual, vocacionadas a dar-se por algo maior que sua ideologia são mais difíceis de se achar do que gostaríamos, não defendendo uma utopia de isenção pessoal na geração de conteúdo, mas compreender a função da imprensa e da sua parte da constituição social é fundamental para que verdadeiramente vivamos harmoniosamente, nada além e nada aquém disso.

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