O gospel não tão gospel assim de Liz Vice

É difícil encontrar músicas de qualidade baseadas na fé cristã, eu sei. As que não estão dentro do gênero congregacional então, mais difícil ainda. Mas elas existem. É só a gente procurar direitinho. Nessa procura, nem lembro como acabei encontrando Liz Vice, mas graças a Deus por isso ter acontecido.

Liz lançou There’s a Light, seu álbum de estreia, no fim de 2014 e foi uma surpresa enorme. O som dela se encaixa nas categorias R&B/Soul, mas não fica preso nelas. Por mais que a combinação R&B/Soul possa remeter a muitos dos clássicos da música gospel – e as canções da Liz vêm dessa fonte -,depois de ouvir o cd, o selo gospel é um dos que menos fica pronunciado, mesmo com músicas centradas na esperança em Jesus e na obra dele em nós.

O cd estava no Spotify e no Noise Trade, e agora não está mais. Para quem quiser ouvir na íntegra, ele está disponível no Deezer, é só logar e curtir. Em algumas faixas, Liz soa um tanto como a Adele. Principalmente em Nothin’, contribuição dela no álbum Days of Full Rain (2016) – esse sim tem no Spotify. E essa semelhança não parece algo intencional, é só mais uma das modulações da voz de Liz aparecendo. Uma das vantagens de ter feito parte do louvor de sua igreja (Deeper Well) por uns bons anos antes de seguir sozinha.

Um dos elementos que mais me atraem em produções artísticas é aquela sensação de que o artista está apresentando o que ele é, o que ele vive, e que todo o resto, toda moldura, todo o arranjo, todos os suportes estão ali para exponenciar essa honestidade. Isso é algo que não se produz em estúdio, não se compensa com técnica, não se alcança a não ser que já esteja lá. E é algo que tem de sobra em There’s a Light.

Além das músicas, vale a pena também ler algumas das entrevistas que ela deu, aqui e aqui. Ela fala sobre a fé, o fazer artístico e seus próprios medos de um jeito que devia ser comum, mas não é. E as faixas de There’s a Light parecem comuns, como se a gente já tivesse ouvido alguém da Motown cantando assim antes, mas não são. Ainda mais em um repertório gospel que precisa demais da renovação que gente como Liz Vice traz.

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