A primeira regra de Mr. Robot é assistir a Mr. Robot

O que é que te prende? Frente a isso, o que pode te libertar? Para Mr. Robot, a melhor série estreante de 2015 (seguida de pertinho por UnREAL), a sociedade está presa às amarras do sistema econômico e a libertação viria da queda do maior representante dessa estrutura, o conglomerado Evil Corp (E-Corp para os íntimos), através das ações do F Society, um grupo de hackers liderado por Mr. Robot (Christian Slater), ao qual Elliot (Rami Malek), o protagonista paranoico, soberbo, e ainda assim muitíssimo humano, se alia.

Mr. Robot é a estreia de Sam Esmail na TV, e por ela o criador já levou para casa o Globo de Ouro de melhor série dramática. E não por acaso. É de longe a produção com maior liberdade criativa do USA (fugindo à regra da impressão que tenho, de que se você já assistiu a uma série do USA, já assistiu a todas), e Esmail foi elogiado por outros criadores renomados, como Matthew Weiner (Sopranos, Mad Men) e Damon Lindelof (Lost, The Leftovers).

São várias as influências impressas em Mr. Robot, e as maiores delas são as que vem de Clube da Luta. Não só na condição do personagem principal, mas também nos símbolos e imaginários acionados para retratar a sociedade. Por mais que possa soar como cópia, Mr. Robot está bem longe disso. Clube da Luta – e outras narrativas de clima frenético e paranoico – funciona para a série como uma espécie de predecessor estilístico. (Mesmo sendo um icônico na cultura pop, só fui assistir ao filme depois de acompanhar a série, e olha, devo dizer que prefiro a série. Alguns dos motivos estão nesse artigo aqui).

Sam Esmail idealizou inicialmente a trama como um filme, e agora tem planos para Mr. Robot até uma quarta – e possível quinta – temporada. Para ele, a primeira corresponde ao primeiro ato da história. Com isso, as semelhanças diretas com Clube da Luta ficaram para trás. O melhor de tudo é que enquanto o filme termina na concretização de um plano revolucionário, Mr. Robot vai além, levantando a discussão “ok, e agora?”, que promete ser ainda mais intrigante.

Se as correntes econômicas são quebradas e ainda assim a sociedade não se vê livre, então o problema é mais profundo. Talvez o problema esteja em nós mesmos, enraizado em nossa natureza. Talvez.

Pelo trailer da segunda temporada, o foco agora será “controle”, e certamente vai ser interessante acompanhar o olhar de Esmail sobre a questão.

Com Rami Malek e Christian Slater numa dupla de atuação impecável, uma nostalgia noventista (o título da série e o logo com tipologia da Sega por si só já são sensacionais), e uma representação de hackers que não vai fazer com que programadores de verdade queiram socar a tela, Mr. Robot é uma daquelas produções que explodem sua cabeça a cada episódio, e te fazem ficar feliz por isso. Que bom que tem gente fazendo TV assim.

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