A piada de mau gosto das cruzes por todo lado

De uns tempos pra cá virou tendência estampar a cruzes por aí. Elas estão em camisetas, pingentes, pulseiras, calças, e aonde mais a imaginação permitir. Mas pense comigo: a cruz, com seus dois pedaços de madeira, é um instrumento de morte. Usar uma camisa com estampa de cruz seria o equivalente então a usar uma estampada com forcas, guilhotinas, revólveres ou bombas atômicas?

Praticada pelos romanos como uma forma de tornar a morte mais dolorosa, mais lenta e mais humilhante, a crucificação é um método brutal de execução. Em um processo composto, antes de ser pregado o condenado ainda era espancado e açoitado, obrigado a carregar a pesada cruz até o local de sua execução. Mesmo com os ferimentos e depois de amarrado, o suplício do condenado podia continuar por vários dias antes da morte, que geralmente vinha por conta da asfixia causada por ficar parado por muito tempo naquela posição.

Pensando assim, chegaria a ser uma piada de mau gosto andar por aí exibindo um badulaque de cruz numa pulseira que nem a Life, da Vivara.

Mas então Jesus entra em cena. E não é por acaso que é logo através da crucificação que ele vá morrer. Quando estava lá, pregado, alguns espectadores (afinal de contas, era um espetáculo), diziam que se ele era mesmo tão poderoso, que descesse dali e salvasse a si mesmo. Acontece que ele era. Mas ele não queria salvar a si mesmo, queria era salvar a todos os outros. Então permaneceu ali e morreu. E, sendo poderoso mesmo, ressuscitou depois.

“Assim, em pouco tempo ‘a cruz’ passou a ser vista não tanto como uma forma de execução, mas como um símbolo do evangelho da salvação”[1]. Sem Jesus, estampar cruzes por todo lado chega a ser quase sádico. É só pela ressignificação que ele traz, fazendo dela um símbolo de vida e libertação no lugar de morte e humilhação, que enrolar um lenço cheio de pequenas cruzes no pescoço não faz com que a pessoa passe um atestado de crueldade.

Sem crer na validade do sacrifício de Jesus em favor dos nossos pecados, ah, meus amigos, a cruz vira mesmo só piada de mau gosto.  Ainda bem que ele nos dá graça.

 

[1] John Stott, em A Bíblia toda, o ano todo, p. 250.

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