Verdades cristãs na voz de Renato Russo

Há algum tempo venho ouvindo música procurando por traços de espiritualidade em cada letra, sob forte influência das reflexões do cantor Marcos Almeida no Nossa Brasilidade. Essa “mania” tem se intensificado muito e se tornou uma busca constante. Até criei uma playlist no Spotify com canções que, na minha perspectiva, falam muito sobre Deus, cristianismo e nossa relação com o Criador da arte.

Nessa procura, ouvindo uma das playlists que o Spotify sugere para os usuários, me deparei com músicas da consagrada banda de rock Legião Urbana, criada por um dos mais célebres artistas deste país, Renato Russo.  O cantor e compositor faleceu há quase duas décadas, mas sua obra é atemporal e até hoje emociona e inspira pessoas de todas as idades e credos.

Apesar de muitos cristãos fazerem cara feia à simples menção do nome do artista, fatos controversos da vida pessoal de Renato Russo não reduzem seu legado musical, nem me impedem de reconhecer preciosas verdades cristãs em algumas de suas composições. Como não mencionar Monte Castelo e a intertextualidade entre o famoso soneto Amor é fogo que arde sem se ver, de Camões, e as palavras do apóstolo Paulo sobre o amor no capítulo 13 da primeira carta aos Coríntios?

Já conhecia as canções há tempos, mas ao ouvir aquela playlist, a faixa Quando o sol bater na janela do teu quarto, fruto de uma parceria de Renato com Dado Villa-Lobos, me tocou de uma maneira diferente.

Quando o sol bater na janela do teu quarto
Lembra e vê que o caminho é um só

Qualquer semelhança com João 14:6 (“Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”) é mera coincidência. Será?!

Por que esperar se podemos começar
Tudo de novo, agora mesmo?
A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance

Certa vez, no início da minha adolescência, alguém me perguntou por que eu era cristã. Para a pessoa, se eu era tão nova e tinha a juventude toda pela frente, podia deixar para seguir a Deus depois de já ter “curtido” por muito tempo. Não lembro ao certo o que respondi, mas reafirmei minha fé e a necessidade de buscar a Deus enquanto há tempo (cf. Is 55:6).

Nunca sabemos exatamente quanto futuro ainda nos resta, mas Ele nos assegura que pode transformar nossas vidas e nos dá a chance de um recomeço. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17).

O sol nasce pra todos
Só não sabe quem não quer

Porque “tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro” (Ec 9:2), e o Senhor “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt  5:45).

Até bem pouco tempo atrás
Poderíamos mudar o mundo
Quem roubou nossa coragem?

Estes versos me fazem lembrar dos primeiros cristãos, que “alvoroçaram o mundo” (cf. At 17:9), e também dos reformadores, dos puritanos e de homens e mulheres que subverteram o mundo e influenciaram a cultura com atitudes movidas pela fé em Jesus.

Hoje, de modo geral, a igreja cristã encontra-se em uma profunda inércia. Construímos muros que nos separam do mundo lá fora, nos isolamos em guetos e fazemos com que nossa contribuição na sociedade seja tão pequena. Bradamos não poucas vezes que “somos diferentes” e que “vamos mudar o mundo”, mas, onde, de fato, começa essa mudança? O que tem sido feito na prática?

Afirmamos que somos “sal e luz”, mas nos esquecemos de que Jesus nos advertiu que se o sal não tiver sabor, só presta para ser jogado fora e pisado pelos homens, e que nossa luz deve brilhar “diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:16), já que ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto, mas sim em um local onde ilumine toda a casa (cf. Mt 5:13-15).

Tudo é dor
E toda dor vem do desejo
De não sentirmos dor

Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? (…) Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor” (Ec 1:3,18). Toda dor nos provoca sofrimento, às vezes físico, às vezes emocional. Ela é uma das coisas mais temidas pelo homem, e também nos faz lembrar das nossas limitações e incapacidades, do fato de que nós não podemos fazer tudo, nada está sob nosso controle e nem tudo é como queremos que seja.

Ela é um lembrete de que somos meros humanos. O sofrimento advém do pecado. E o pecado entrou no mundo justamente pelo interesse de Adão e Eva em não serem mais meros humanos. A serpente disse a Eva: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes [o fruto] se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3:5, grifo meu) e a tentação de ser como Deus causou a queda do primeiro casal, e, consequentemente, de toda a humanidade.

Quando o sol bater na janela do teu quarto
Lembra e vê que o caminho é um só

Que a cada amanhecer, você se lembre de que Jesus é o único caminho que leva ao Pai. “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna; e nós temos crido e conhecido que Tu és o Santo de Deus” (Jo 6:68-69).

Sara de Pinho, baiana, 23 anos. Pensa muito sobre tudo, então escreve para organizar as ideias. Tem achado graça em ver a Graça de Deus em todas as coisas. Escreve no Buscando Deus na Cultura.

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