Às vezes ser 100% Jesus significa perder

Não consegui acompanhar muito dos jogos olímpicos, o que causou uma certa tristeza no meu coração. É tão bom se sentir parte daquilo, mesmo que seja apenas torcendo por gente que até um dia atrás você nem sabia o nome. É inspirador testemunhar tantas demostrações de determinação, sacrifício e superação.

Agora que a Olimpíada chegou ao fim (e sempre bom lembrar que a Paraolimpíada vêm aí), alguns nomes ainda ficam na memória. Ainda devemos comentar sobre a Biles, fazer piada sobre a correria do Bolt, lembrar dos feitos inéditos do Isaquias. Só que a lista daqueles atletas dos quais nos esquecemos é infinitamente maior.

Não que seja culpa (só) do nosso desinteresse, (só) do que é conveniente para a mídia, (só) da falta de incentivo e patrocínio (e poxa vida, CBF, cogitar acabar com a seleção feminina permanente, sério mesmo?!). É atleta demais! E frente a isso, algo que me deixa impressionada é o fato de que são anos e anos de treino e preparação para executar performances que chegam a durar menos de dez segundos nesse que é o maior evento esportivo do mundo.

O que a gente vê, seja nos jogos olímpicos ou nos torneios e campeonatos específicos de cada modalidade, são os momentos resultantes das lutas e sacrifícios daquelas pessoas que estão na disputa. (E como nem tudo na vida é preto no branco, além dessas lutas e sacrifícios, alguns atletas também podem ser bastante idiotas. Lochte está aí para provar.)

E aí seguimos nesse processo de nos lembrar agora, para depois esquecer e então lembrar de novo daqui um tempo. Mas alguns momentos a gente escolhe eternizar. E sabe de uma coisa que a gente adora? Quando os atletas representam algo, maior que o esporte, no que a gente acredita. No nosso caso, quando a pessoa, no ápice do seu momento de glória, diz “espera aí, a glória é de Jesus”.

O que não faltou no meu feed por esses dias foram amigos cristãos repostando trechos da entrevista dos caras do salto ornamental dos EUA que levaram a prata, dizendo que a identidade deles está em Cristo. Ou dando destaque para o fato de que os ensinamentos do livro Uma Vida com Propósitos, do Rick Warren, ajudaram Phelps a desistir do suicídio e a voltar a vencer nas piscinas. Ou parabenizando Neymar por peitar a resistência do COI e da FIFA e exibir uma faixa com os dizeres “100% Jesus” ao conquistar o ouro inédito no futebol.

E aí me lembro do episódio das duas corredoras que se ajudaram depois da queda nas eliminatórias dos 5 mil metros. Elas se enroscaram numa curva, e Nikki Hamblin caiu feio. Abbey D’Agostino foi a primeira a se levantar, e no lugar de continuar a corrida para tentar recuperar o tempo perdido, Abbey permaneceu com Nikki, dizendo que não desistisse e ajudando-a a se levantar.

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Elas seguiram a corrida, e a lesão que D’Agostino sofreu pela queda era mais séria. Ela vai até passar por uma cirurgia quando retornar ao seu país. Então foi a vez de Hamblin oferecer ajuda, incentivando a “rival” no lugar de focar apenas em terminar a corrida em seu melhor tempo. As duas levaram a medalha de Fair Play do COI por traduzirem o que é esse tal de espírito olímpico.

Abbey, que é cristã, disse que durante o tempo dela no Rio, Deus deixou claro para ela que sua experiência nos jogos seria sobre mais do que sua performance na corrida. Antes da competição, ela sabia que ter o foco em Deus em primeiro lugar nem sempre se manifesta em medalhas. “Às vezes significa chegar em último lugar“. O que de fato aconteceu. É disso que eu quero me lembrar, é de um coração assim que eu preciso.

No caso da faixa na cabeça após o ouro, fico me perguntando se Neymar também a usaria caso a seleção brasileira perdesse a partida e levasse a prata. Espero que sim, já que ser 100% Jesus não implica apenas em vitórias, em conseguir chegar ao lugar mais alto do pódio, mas também, como disse a dupla norte-americana dos saltos, em saber que nossa identidade está em Cristo, independente dos resultados.

Às vezes a gente fica tão focado nas vitórias e conquistas que esquecemos que o caminho até elas (e além delas) é até mais importante. Às vezes é mais fácil destacar uma faixa na cabeça do que aquelas atitudes que falam bem mais alto que qualquer palavra. Às vezes ser 100% Jesus significa perder uma batalha, porque a gente já sabe que ganhou a guerra.

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5 comentários sobre “Às vezes ser 100% Jesus significa perder

  1. Neymar se perdesse nem lembraria, afinal no segundo jogo nem entrevista ele se dispos a dar. E lembrando que com a faixa na cabeça, ele foi insultar e xingar um torcedor. Ele não deveria usar esta faixa, quem sou eu pra julgar, mas com estas atitudes parece que quer só usar o nome de cristo.

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