Uma liturgia inesperada (com Coldplay, Florence e mais)

Você ficaria surpreso se fosse convidado para um culto e lá ouvisse Florence + The Machine, Kings of Leon, Coldplay, Mumford & Sons e John Mayer?

A programação do penúltimo domingo antes do Summer Break aqui na igreja na qual congrego na Califórnia recebeu o nome de “Unexpected Liturgy”. Confesso que isso me intrigou bastante. O que seria uma “liturgia inesperada” para um culto que seria uma noite de louvor?

Aceitei o convite e chamei também uma amiga suíça que até então nunca tinha colocado os pés em uma igreja cristã.

No começo do culto senti uma paz e vi que sim, o Espírito Santo já estava ali, e sim, o Espírito Santo se movia em liturgias inesperadas.

Naquela noite o culto não teria músicas congregacionais, “de louvor”.

A líder de louvor explicou que naquela noite cantariam músicas fora do padrão “gospel”, mas que ainda assim tinham um fundo totalmente cristão, que nos contavam sobre fé e faziam paralelos com narrativas bíblicas, como a jornada do filho pródigo, contada em Lucas 15:11-32.

Em 1 Timóteo 4:4 está escrito que “tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado, se for recebido com ação de graças”.

Eu acho que as pessoas tendem a julgar o que é sagrado e o que é secular, separando onde Deus é encontrado – somente em um e não no outro. Eu acredito em promover a realidade de que tudo na vida pode nos oferecer a oportunidade de encontrar Deus e de que podemos ver beleza nisso, mesmo nas coisas não chamadas cristãs.

Como parte da nossa experiência humana, a maioria de nós interpreta Deus, o mundo e nós mesmos através de uma  linguagem que se estende além do que normalmente encontraríamos numa subcultura cristã.

Naquela noite eu encontrei Deus de uma forma diferente. O vi em aéreas da minha vida que ate então eu não tinha percebido. Vi que Ele está na minha jornada tanto na chegada como na volta para casa, como Edward Sharpe canta em sua música Home: “Home is wherever I’m with you” (Casa é qualquer lugar no qual eu esteja com você).

Essa noite totalmente inesperada trouxe meu coração ainda mais perto de Deus. Como dito pelas pessoas que lideraram aquela liturgia inesperada, “Nós não acreditamos que o conteúdo lírico de uma canção a torna inerentemente uma canção de adoração. Nós acreditamos que a adoração é uma orientação de nossos corações para Cristo, e qualquer música que nos ajuda a fazer isso é uma ‘música de adoração’ independente  da intenção original do autor”.

Só posso dizer que quando ouvi Fix You do Coldplay naquela noite, o versos “Lights will guide you home, and ignite your bones / And I will try to fix you” (Luzes vão te guiar para casa, e incendiar seus ossos / E eu vou tentar consertar você) me fizeram lembrar de João 8:12, em que Jesus diz “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. E qual será a luz que nos guiará de volta pra casa? Jesus!

Eu e minha amiga encontramos Deus nos detalhes cantados em cada verso das músicas daquele domingo. De forma inusitada, surpreendente, simples e maravilhosa. E quem melhor para nos surpreender com a criação do que o Criador de todas as coisas?

Você pode ouvir a playlist com as músicas daquela noite aqui:

Chris Monteiro, 29 anos. Vivendo pela graça e achando graça em muitas coisas. Aficionada por seriados, café e boas histórias, admiradora de coisas simples e apreciadora mor do céu azul da Califórnia.

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2 comentários sobre “Uma liturgia inesperada (com Coldplay, Florence e mais)

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