A Consolação é o Propósito do Sofrimento

 

O filme Melancolia, de Lars Von Trier, consegue retratar com profundidade o efeito do sofrimento na vida da protagonista Justine. O diretor costuma retratar o sofrimento na vida de seus personagens de uma maneira singular. Certa vez li que o sofrimento não faz acepção de pessoas, uma baita verdade.

O Salmo 06 é uma ótima janela para a realidade do sofrimento: “Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar minha cama: molho o meu leito com minhas lagrimas. Já os eus olhos estão consumidos pela mágoa, e tem envelhecido por causa de meus inimigos” (v 6-7)

Independente da razão pela qual estamos padecendo, C.S. Lewis diz que o sofrimento é o megafone de Deus para nos despertar de nosso sono espiritual. Isso faz ecoa a palavra de Paulo aos Coríntios, quando diz sobre seu espinho na carne. “Para impedir que eu me exaltatasse… foi me dado um espinho na carne mensageiro de Satanás, para me atormentar… Quando sou fraco é que sou forte” ( 2Co 12-7,10). O sofrimento nos mostra o quanto é impossível viver de alguma forma que não seja a dependência e submissão completa a Deus.

As tragédias são capazes de criar uma ilusão sinistra, a de que Deus não está presente, de que nos abandonou em meio a nossas lágrimas. Sentimentos de abandono e desamparo tomam conta de nossa alma. Mas por mais que nossas emoções sejam facilmente enganadas, as Escrituras ensinam que Deus está sim presente nas horas ruins da vida.

Isso não quer dizer que os sofrimentos vão acabar, mas sim que Ele passa pelo tempo de sofrimento junto conosco, e isso faz toda diferença. Basta olhar para a vida de Habacuque, que depois de ver a nação totalmente ferrada, e de se indignar com isso, finalmente entende que Deus está presente e diz “(Apesar do caos) Exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação” (Hc 3:19).

Uma pergunta que sempre vem à mente no “dia mal” é: “ Porque estou sofrendo?” . Em relação à origem e causa de nosso sofrimento, existem duas possibilidades. A primeira é referente ao sofrimento que simplesmente é consequência das nossas falhas. Estamos colhendo aquilo que plantamos. Nesse caso o sofrimento não é apenas algo impessoal, a ponto de Deus não ter nada a ver com isso.

Hebreus 12:7  (Suporte a as dificuldade recebndo-as como disciplina: Deus os trata como Filho) revela que Deus nos ama tal como um Pai ama à seu filho e o castiga para que não erre novamente. Se nosso sofrer se encaixa neste item, temos que resistir às tentações autocomiserativas (ter pena de si mesmo), nos arrepender e mudar de atitude.

Entretanto, existem sofrimentos pelos quais passamos e que simplesmente não são consequências de nossos erros. Eles simplesmente acontecem sem que entendamos o motivo. E claro, isso em si já é muito, mas muito angustiante. Pense num dos casos das crianças que perderam a família nos bombardeios na Síria ou em vítimas de abuso infantil.

Para essa segunda possibilidade, o exemplo bíblico é o de Jó, que era um cara justo (Jó 1: 8) e do nada foi ao fundo do poço, simplesmente pelo Senhor permitir. No final das contas Jó entende que todo sofrimento permitido pelo Eterno fez com que alcance uma intimidade e conhecimento de Deus que ele nunca havia experimentado “Meus ouvidos já tinham ouvido a Teu respeito, mas agora meus olhos te viram” (Jó 42:5).

“(Ele) que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus , possamos consolar os que estão passando por tribulações” 2Co1:4

Aí entra o ponto mais interessante… O caso de Jó nos mostra que nosso maior foco no sofrimento não tem que ser o passado, embora seja muito importante avaliá-lo. Ficar preso ao passado, refém daquele sentimento de “e se eu pudesse voltar no passado e fazer diferente”, não vai resolver nada.

O sofrimento passa a ter propósito quando olhamos para o futuro, somado à esperança de que Deus é fiel e consolador. Se olharmos pra frente (Fp 3:13) veremos que nosso sofrimento terá uma finalidade, a consolação do próximo. Quem já sofreu uma dor específica entende melhor o irmão que passa pela mesma dor. Se você já perdeu um filho, seu abraço tem o cheiro do consolo divino pra quem acabou de perder um. Se você sofreu um acidente com sequelas físicas permanentes, sua presença pode ser um sopro de esperança para quem acabou de ter uma perna amputada.

Ao contrário de Justine de Melancolia, que em seu isolamento encontrou alívio na destruição iminente da Terra, nós temos esperança!  Ao repartirmos o consolo que recebemos de Deus, Ele enche nosso coração de alegria. Um ciclo em nossas vidas se fecha. A história ganha sentido. Ao Deus soberano entregamos todos os nossos dias. Pois sim, Ele está presente!

Apêndice:

Ouvi esses dias sobre um cristão que foi prisioneiro do Estado Islâmico. Ele sofreu intensamente sendo torturado todos os dias.  Chegou no seu limite, provavelmente desejando a morte ao invés de passar por aquilo. Então ele relata que numa tarde sentiu a doce presença do Espírito chegar até a cela e consolá-lo. Este crente cativo conta que a experiência passou a se repetir toda tarde. Passar por um contato com Deus daquela forma era algo definitivamente sublime. E hoje, liberto, ele admite que chega  desejar voltar para aquela prisão, ser torturado, para enfim receber aquela vespertina visita de consolo Divino.

 

 

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