Término de Jout Jout e Caio: Reflexões

Depois de Brad Pitt e Angelina Jolie, William Bonner e Fátima Bernardes, o macabro ano de 2016 ceifa mais um relacionamento de referência, Jout Jout e Caio. Julia Tolezano ficou famosa através de seu canal no Youtube, Jout Jout Prazer, sempre auxiliada por seu namorido, Caio. Ele era responsável pela parte técnica das gravações, além de dialogar com sua companheira nas filmagens. Em um dos últimos vídeos do ano eles decidiram comunicar o término da relação através de um vídeo sem falas, mas com frases escritas em seus corpos.

E eis que aparece uma frase polêmica o suficiente para me motivar a escrsem-tituloever esta reflexão: “Temos de parar de sempre associar término a fracasso”. O interessante é que a frase parece descreditada pelo título (que leva a crer que 2016 é um ano ruim) a pelo clima altamente melancólico do vídeo.

Simplesmente não dá pra concordar com a afirmativa. Dizer que término não é sinônimo de fracasso e digno de tristeza*, é simplesmente não atentar para o que de fato é uma relação… É tentar ser “cool”, pessoa “desconstruída”, mas no final das contas é como tentar mergulhar na Antártida esperando o calor das praias do nordeste.  Por que seria então um absurdo a gente quebrar a relação entre término e fracasso? Ora porque as relações, sobretudo as conjugais, são feitas de partículas da eternidade, são uma janela para o Eterno. Primariamente porque a primeira relação que existiu foi entre o Pai, o Filho e Espírito Santo, ou segundo Santo Agostinho, entre o Amante, o Amado e o Amor.

Deus subsiste em três pessoas que se amam desde a ETERNIDADE, portanto todos os outros relacionamentos só existem à luz desta perfeita relação. Toda relação íntima sonha em ser Trinitária. É por isso que a gente pode tentar pintar de colorido esta triste pagina de nossa história, mas o resultado vai ser totalmente “fake”, artificial, pois falta coerência e harmonia. É como jogar perfume no pescoço quando se está com CC. E no final das contas essa tentativa de manipular a realidade não convence, como não convenceu este vídeo da youtuber que eu tanto gosto.

Temos visto toda uma tendência de ser uma pessoa descontruídx e promover uma espécie de “reengenharia da autonomia da vontade libertária” (ps: entendedores entenderão).  Entretanto, se atentarmos para o que a Bíblia diz sobre casamento, a parada é ainda mais séria. Em todo o novo testamento, sobretudo em Efésios 5 e Apocalipse, a Bíblia compara o casamento ao amor que Cristo tem por sua Igreja. A aliança feita no casamento é tão intensa e profunda que os dois se tornam uma só carne (Gn2:24), a aclamada autonomia sobre si (ou sobre o próprio corpo) entra em cheque (1Co 7:4)  para aqueles que ousam experimentar esta íntima unidade. Isso é tão forte que a princípio quem se divorcia não deve se unir a outra pessoa (Mt 5:19). É por essas e outras que quando um relacionamento termina, certo luto, além de inevitável, é necessário.

Existe um elemento a mais nessa equação e que nos ajuda a entender porque a idéia de término passa a ser dissociada de perda ou sofrimento. É o fato de encararmos amor como um sentimento e não como uma decisão. Ou como diz Guilherme de Carvalho, tem se esvaziado o casamento de seu conteúdo moral deixando-o apenas com a esfera afetiva. Sentimentos e afetos mudam como a areia na beira da praia, mas decisões e senso ético são como uma ancora em mar bravio.

Quer ser contra cultura? Então seja de verdade. Devemos resistir a essa mudança, mas um alerta se faz necessário: sejamos movidos por compaixão e não por arrogante sentimento de superioridade.
Tendo dito isso, sejamos corajosos em negar a modinha “descontruidx” e pranteemos o término dos relacionamentos. Que ousemos deixar com que nossas relações penetrem pelas fendas da Eternidade e por Ela sejam conduzida, com nossos egos domados e o interior repleto da esperança que brota na contemplação da Terra Prometida que já é, mas ainda não.

Que o Eterno nos abençoe!

*Não estou descartando a possibilidade de existir separações mais ou menos traumáticas, mais ou menos maduras, mais ou menos “de boa”. Sim, acredito em tudo isso e creio que o término de Jout Jout e Caio esteja acontecendo dentro do melhor cenário possível, mas o fato é  que não creio que seja possível “estar feliz” com essa decisão.

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2 comentários sobre “Término de Jout Jout e Caio: Reflexões

  1. iria passar direto por este texto na minha caixa de e-mail – personagens de mídias virtuais não me chamam a atenção – no entanto, acabei por lê-lo e gostei da perspectiva dada à separação do casal mencionado. a partir de uma notícia/evento (creio) muito comentada, foram certeiros em tirar uma lição sobre o valor da união segundo às Escrituras.

    Até sobre este trecho do texto: “…as relações, sobretudo as conjugais, são feitas de partículas da eternidade, são uma janela para o Eterno.” – escrevi recentemente: “O sentido de por a vida em jogo por algo que foge ao meu (seu) instante é a maneira de olhar pela fresta do tempo uma casa erguida na eternidade — ali “conheceremos plenamente aquilo que, por ora, conhecemos em parte”. É por isso o anseio permanente do homem de retorno ao seu lar — em que terá vista completa da identidade ofuscada pelas coisas que perecem.” – https://goo.gl/X8mbDi

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