Amar é sempre ser vulnerável. Até na arte.

Um dos meus maiores receios na hora de pensar em tatuagem é que enjoo muito rápido das coisas, então me comprometer com um desenho ou uma frase permanentemente marcados no meu corpo pode ser um tiro pela culatra. Mas se tem uma frase da qual nunca vou me enjoar é “Amar é sempre ser vulnerável”. E não necessariamente pela beleza estética dessa junção de palavras, mas muito mais pelo significado que carregam.

Eu não entendia muito bem esse conceito de “livro que mudou a minha vida” até que li Os Quatro Amores, de C.S. Lewis. É daí que vem essa frase sobre amor e vulnerabilidade e é daí que vem minha admiração pelo cara.

Nem me perguntem como (porque não sei explicar), mas semana passada estava eu ouvindo a canção final de Encantada (2007). Sendo uma personagem vinda do reino mágico das animações, é claro que, à primeira vista, Giselle é completamente inocente e deslumbrada. Mas acho que esses são só sintomas de algo maior: vulnerabilidade.

E no fim de semana passado, estava eu no show do Marcos Almeida e do Estevão Queiroga aqui em BH. E chegando lá, percebi como, realmente, nunca vou me enjoar de “Amar é sempre ser vulnerável”.

Tudo bem, já dei bons passos em direção a quebrar as barreiras ao redor do meu coração na relação com as outras pessoas. Não sei se isso faz sentido pra muita gente, mas vulnerabilidade dá medo! Porque, bem, te deixa… vulnerável!

Criar esses muros pode ser um mecanismo de defesa, mas ao mesmo tempo que deixa longe das ameaças em potencial, te deixa igualmente – ou até mais – longe dos prazeres em potencial.

Foi o Estevão que abriu o show, e eu estava muitíssimo animada para vê-lo tocando ao vivo, já que o álbum dele foi facilmente o melhor lançamento do ano passado no meio cristão. Cheguei ao teatro bem em cima da hora, e assim que o Estevão começou a falar, percebi algo que sempre carreguei comigo, mas nunca tinha chegado à superfície.

Sempre que ia a um show, era como se eu estivesse ali esperando que a banda e o artista me convencessem de que aquele momento estava valendo a pena, de que eles eram bons de verdade, de que ouvi-los ali era mesmo o melhor que eu podia fazer com as horas.

Não sei como passei tanto tempo sem ir a shows “só” para celebrar a arte, curtir o momento, me deixando ser vulnerável.

O show teve lá seus problemas técnicos, teve gente que não gravou a letra e foi ler no celular, teve participação que não formou um conjunto muito coerente. Mas eu já não estava querendo que ninguém me provasse nada. Estava ali pra celebrar arte, que às vezes tem seus descompassos mesmo, e o momento continua maravilhoso.

Lá na música final de Encantada, Carrie Underwood canta assim: Start a new fashion / wear your heart on your sleeve. Que basicamente é um incentivo pra gente passar a expressar nossas emoções livre e abertamente. Pra deixar nossos sentimentos bem óbvios e expostos, no lugar de escondê-los. Em resumo: seja vulnerável.

Quando Estevão começou a fazer suas piadinhas (bem boas, por sinal) e a falar um tiquinho sobre suas composições, alguma coisa me fez perceber que até ali preciso ser vulnerável. “Amar é sempre ser vulnerável”. Até na minha relação com a arte. Com qualquer coisa que eu ame. É um trabalho de um vida toda.

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