O design, a arte e a vida em Abstract

O que te inspira? Algo que está no topo da minha lista é ver gente que ama arte falando sobre arte. Sobre a sua, sobre a dos outros. Na verdade, gosto de ver gente falando sobre o que ama, seja o que for. Parece como um tiquinho de antídoto para o tanto de palavras duras e odiosas que a gente vê espalhadas por aí ultimamente. E quando o amor declarado é sobre arte, fica mais lindo ainda.

Não é nenhuma surpresa então o fato de eu ter amado Abstract da Netflix, que nada mais é do que uma celebração do design em várias formas.

A série documental segue a linha de Chef’s Table, apresentando o trabalho de um escolhido por vez, acrescentando depoimentos de um crítico ou outro, destacando momentos e criações marcantes de sua trajetória e apontando o que ainda há de vir. Enquanto as histórias dos chefs de cozinha são sempre acompanhadas pela interpretação do Inverno das Quatro Estações de Vivaldi, o tema instrumental de Abstract tem algumas variações, acompanhando a personalidade do artista da vez. Belo toque.

Cenografia, ilustração, design de carros, de tênis, arquitetura, tipografia… a gente costuma colocar cada área em sua caixinha, mas no final das contas são todas movidas por esse impulso criativo, de apresentar um jeito melhor de fazer o que já fazemos há tempos, de apresentar um jeito diferente de pensar sobre o que já foi naturalizado pra nós, de apresentar um jeito novo de estar nesse mundo. Fala se isso não é bonito?

“O perigo de [fazer da arte uma] profissão e do trabalho duro é que pode te afastar de fazer as perguntas difíceis. Estou tentando ser bom em algo. Mas isso no que estou tentando ser bom é verdadeiro?”. Esse questionamento do ilustrador alemão Christoph Niemann é algo que sempre volta à minha cabeça. E não só sobre arte. A gente se acostuma com aquilo que vira rotina, que está nas nossas vidas todos os dias. Fica muito fácil não se perguntar “qual é o propósito disso?”. Essa é a pergunta que realmente importa. E é ela que funciona como fio condutor da série.

Depois de ter o propósito em mente, é preciso executá-lo, também de um jeito verdadeiro. E aí o arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels diz o seguinte: “De certa forma, quando você começa um projeto, sabe o que é importante, mas não necessariamente sabe para onde está indo. Mas você sabe que, se toma as decisões com base nessas coisas que sabe que são importantes, não importa onde você vai chegar, é ali onde você precisava ir”.

Sabe quando estourou a febre de Black Mirror e todo mundo dizia que “é uma série sobre tecnologia, mas na verdade é sobre nós”? Então. Minha vontade era dizer “gente, mas isso é óbvio!”. Agora faço quase o mesmo, quase. Abstract é sobre design, sobre arte. E também é sobre todo o resto da vida. Como boa arte deve ser.

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